Exposição “Do Lixo ao Lótus” apresenta 20 anos de Produção Artística de Bruno Jankowisk no Centro Cultural Prefeito Jesus Adib Abi Chedid
A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo realiza, no Centro Cultural Prefeito Jesus Adib Abi Chedid, até o dia 30 de abril, a exposição “Do Lixo ao Lótus – 50 obras em 20 anos de caos e paz”, do artista Bruno Jankowisk. A mostra reúne um conjunto expressivo de trabalhos produzidos entre 2004 e 2026, convidando o público a mergulhar em uma experiência estética que transita entre o sagrado, o urbano e o reaproveitamento de materiais.
A abertura oficial (vernissage) aconteceu no dia 10 de abril, das 19h às 21h, marcando o início da exposição, que propõe uma reflexão profunda sobre valor, transformação e percepção.
A exposição apresenta 50 obras entre desenhos, gravuras, aquarelas, pinturas e esculturas, compondo uma verdadeira cartografia de afetos e objetos. O artista constrói um diálogo singular, no qual elementos de matrizes hindu-budistas convivem com pássaros exóticos, formas geométricas, caligrafias expressivas e crânios, criando um universo visual rico em simbolismo e contrastes.
Um dos aspectos mais marcantes da mostra é o uso de materiais ressignificados. Fragmentos de serrarias, peças agrícolas e restos urbanos ganham nova vida nas obras, reforçando a proposta do artista de encontrar beleza e significado naquilo que foi descartado. Esse processo de “garimpo” artístico revela uma crítica sensível à lógica da economia contemporânea, que frequentemente desvaloriza o que não se encaixa em padrões de consumo.
Do ponto de vista técnico, a exposição também impressiona pela diversidade. Técnicas tradicionais, como gravura e aplicação de folha de ouro, dialogam com recursos contemporâneos, como sprays, pátinas e ceras metálicas. Materiais como argila, marcadores e pastéis secos ampliam ainda mais as possibilidades expressivas, resultando em obras que equilibram rigor técnico e liberdade criativa.
Mais do que apresentar um tema único, “Do Lixo ao Lótus” propõe ao visitante uma experiência de conjunto. É na relação entre as obras que se revela a coerência de um estilo que foge do repetitivo e do seriado, explorando a tensão entre o caos e o cuidado, entre o estudo e o acaso. Cada peça funciona como um pequeno altar contemporâneo, evocando memória, devoção e curiosidade, ao mesmo tempo em que questiona padrões estéticos e culturais estabelecidos.
Sobre o artista
Bruno Jankowisk é formado em Desenho Industrial pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, com pós-graduação em Branding e Design pelo Senac. Atuou por mais de duas décadas nas áreas de design e estratégia para grandes empresas como Smart Fit, Ambev e Papelito, além de participar como jurado em importantes premiações, como o Prêmio Bornancini (2014) e o concurso de identidade visual do Festival de Direitos Humanos de São Paulo.
Sua trajetória artística é profundamente influenciada por sua experiência como monge noviço no templo Wat Sriboonruang, na Tailândia, onde aprofundou estudos sobre espiritualidade, mitologia e arquétipos. Essa vivência reflete diretamente em sua produção, marcada por uma busca constante por significado, transformação e valorização do que é marginalizado.



